terça-feira, 19 de março de 2013

"Estava frio. Muito frio por sinal. E ali estavam eles, sozinhos. Apenas acompanhados pelo amor que os unia, ou então, supostamente os unia, ou melhor, os uniu. Uma vós ténue e bastante tremida saiu da boca dela, com medo da reação dele, com medo de admitir aquilo que o coração realmente queria dizer, mas que não tinha meios para tal. Ele estava igualmente receoso. Mas, de que valia viver num mundo onde tudo era perfeito, quando na verdade era tudo menos uma utopia? De que valia dizer um "amo-te" quando a palavra certa era "adoro-te"? Quando o sentimento não era mútuo? Quando já não fazia qualquer sentido falar num "nós"? A palavra certa seria "ilusão". Ilusão porque ambos queriam gostar um do outro, mas isso não acontecia. Ilusão porque ambos não tinham coragem de admitir que na verdade não se amavam. Ilusão porque enquanto pensavam viver um "conto de fadas" viviam um drama. Enquanto diziam "é para sempre" o coração dizia "não, não é para sempre nem nunca irá ser". 
No meio de tanto receio, a verdade veio ao de cimo. Aquele discurso há já muito que era esperado, no entanto, por mais que a reação já tivesse sido "treinada" previamente, o momento quis que ele fosse espontâneo nas suas palavras e nos seus atos. Ele limitou-se a olhar para baixo, a pegar-lhe na mão e a dizer-lhe que o sentimento era mútuo. Era um erro dizer que todos os momentos partilhados, todos aqueles sorrisos, todos aqueles abraços não tinham significado. A verdade é que cada um deles ficou gravado na memória. Tão depressa não serão esquecidos, muito menos substituídos."

Patrícia Duarte

Quando for mais importante que um jogo avisa. Pode ser que nessa altura ainda esteja aqui para ti. #indiretas bem diretas.



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